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Pub: 21 de Set, 2008
Periodo: 21 Jul - 4 Ago, 2008
TESTEMUNHO DE CRISTIANA (Final)Creche
Na creche estão miúdos
entre os 6 meses e os 4 / 5 anos de idade. Existe uma ementa afixada no quadro da
creche Uma vez que passava lá em horas e dias diferentes via sempre os lanches de pão, banana e leite e os almoços de arroz e vegetais, quando perguntei à Tamana a responsável pela Creche porque não seguiam o menu afixado e publicado na página do projecto, ela dizia que o responsável pelas compras da crecheo Nayan nunca trazia a lista completa de produtos por ela pedida. Todos os meses faltavam produtos desde fraldas a leite, então eu pedi para me mostrar a lista e pedi ao Nayan para ir às compras com ele, mas não lhe mostrei a lista que a Tamana me tinha cedido. Confirmei que efectivamente as quantidades pedidas eram muito superiore às quantidades realmente por nós compradas. Questionei o Nayon e mostrei a lista e com todos os produtos desde alimentação, fraldas, toalhetes, champô, sabonetes, produtos limpeza, pó para a máquina, tudo necessário para o bom funcionamento da creche.O Nayon logo afirmou que não existia dinheiro e o que no Escritório apenas lhe davam uma quantia muito limitada para tudo o quea Tamana pedia, e que não era possível comprar tudo. Mas eu, como voluntária do Dhaka Project apenas comecei a questionar todos porque no meu primeiro dia na Creche as roupas dos miúdos estavam sujas e mal cheirosas, falei com a Tamana e disse que queria os miúdos limpos que não fazia sentido os miúdos estarem mal tratados uma vez que existia muita roupa doada, máquina de lavar roupa. Ela disse-me que sim, mas no segundo dia tudo continuava igual comecei a perguntar o que ela fazia lá se os miúdos nem limpos estavam, foi aí que ela disse que o detergente para a máquina da roupa faltava já havia alguns dias, pedi para me mostrarema dispensa e todos os produtos que ela tinha em 'stock'. Fiquei muito admirada, porque relativamente ao ano anterior a creche estava em piores condiçôes, onde comida nunca faltou, não existia ementa mas a comida era variada e nada faltava, mesmo com o orçamento muito mais reduzido. A Tamana mostrou e eu vi fraldas apenas para mais 2 dias, leite em pó apenas para 4 dias, detergentes poucos existiam, champôs já faltavam havia vários dias, e sabonetes também faltavam havia alguns dias e pediu ao Escritório que lhe enviaram uns 20 sabonetes secos e pretos de estarem guardados, ela disse-me e com razão porque eu vi-os, que não ia lavar os miúdos com aquilo. No meio da conversa a Tamana confessou-me que em Julho, no mês anterior ao da minha estadia, faltou leite por 2 dias e que ela pediu ao escritório e que uma voluntária, a Kate disse que de vez em quando podia dar água com açúcar aos miúdos, fiquei simplesmente sem palavras. Quando perguntei à Tamana como estava a comunidade a reagir a este problema da falta de leite, ela disse que os pais apenas deixavam lá os seus filhos para eles comerem, e se não existisse leite eles iriam deixar de colocar lá os miúdos. Sempre que lhe perguntava quantos miúdos frequentavam a creche nunca medava um número correto, todos os dias davam um número diferente, o que eu não percebia porque se o Dhaka Project fica com os filhos da comunidade, oferece a comida porque é que os miúdos estavam sempre a faltar? Não souberam responder, mas davam a resposta que todos davam quando não tinham resposta a este tipo de questôes, “foram para a vila passar uns dias com familiares e alguns não voltam”. E eu questiono, se eu não tivesse comida ou emprego mudava de localidade e trocava da cidade onde arranjava trabalho com mais facilidade e onde os meus filhos recebiam educação e comida de graça, ou mudava para a vila, para o meio do campo sem emprego e sem comida?? Eu que não sou Bangladeshi, mas que já fui lá duas vezes, acho que preferia onde estava. Como não conseguia concluir quantos miúdos eram ao certo disse a Tamana que ia tirar fotos aos miúdos um por um e que os queria prontos no dia a seguir, ao que me responderam: “Não há problema porque nós temos roupa especial para os visitantes......” E eu disse que não estava a perceber e se me podia mostrar de que roupa estava a falar, ela mostrou-me uns sacos fechados que tinham roupa quase nova e muito bonita com que vestem os miúdos ao saber que vão ter voluntários a dar a volta ao projecto... E assim foi, no dia seguinte os miúdos estavam vestidos para “a festa” e no dia seguinte tudo volta ao normal, não compreendo. Mas porque é que a Cristiana e o Pedro viram todos estes problemas e os restantes voluntários apenas pintam um cenário maravilhoso e cor de rosa? Durante as 3 semanas em Dhaka foi muito fácil responder a esta questão, nas ruas de Dhaka perto do Projecto é realmente uma zona muito pobre, miúdos quase sem roupa, com fome, a vaguear pelas ruas sem fazer nada, sozinhos,... depois entramos na creche, mesmo que estejam a comer pão com banana e leite, em salinhas arrumadinhas e com muitos brinquedos, qualquer comum mortal pensa que o projeto é maravilhoso e que tudo corre bem. E se os voluntários avisarem antes em que dia chegam ou vão visitar o Dhaka Project, com o responsável dos voluntários o Jewel, os miúdos vão estar com as roupinhas dos visitantes do dia de festa, e mais magnífico se torna o cenário. Os voluntários entram na creche alguém coloca um CD, a Jasmine, a miúda mais espevitada começa a dançar e a puxar pelos coleguinhas e tudo parece paradisíaco na realidade de Dhaka. E porque é que os voluntários não se apercebem de tudo o resto que não funciona assim tão bem como é cuidadosamente pintado no site? Pelo que me apercebi todos eles, se não a maioria, dão a volta ao projeto como visitantes e depois a maioria deles ficam a dar aulas na EK School por opção deles e poucos são os que voltam à creche ou a outros lugares do Dhaka Project. Outro problema que constatei foi a falta de qualificação e mesmo profissionalização das educadoras da escola. Existem dezenas de livros na creche para aprender Inglês, historias e vários livros relacionados cm aquelas faixas etárias que não são utilizados. Nem mesmos os de pintar, para os quais não é necessária grande instrução para fazer este tipo de atividades com os miúdos e nem isso é feito. Também aqui existem planos de actividades em que os dias estão totalmente divididos com horas para tudo, comer, dormir, brincar, pintar, ver TV, ver filmes, aprender Inglês e jogos, e mais uma vez não o fazem e durante as 3 semanas não vi ninguém do Escritório a controlar isto. Se a responsável da Creche que é paga para isso, não o faz, não controla, se o Escritório não controla isto, e existem responsáveis para tudo e mais alguma coisa no Escritório porque é que a Creche não está a funcionar? É culpa da Maria? É ela que vai lá de vez em quando e vê que tudo o que ela idealizou, e que tenta implantar sempre que vai a Dhaka mas que só funciona apenas com ela sempre em cima de tudo e de todos, e mal ela vira costas tudo deixa de funcionar... que tem a culpa? Notas:
EK School Aqui eu e o Pedro tivemos uma pequena reunião com uma das directoras da escola que nos disse que a escola tinha 22 professores remunerados pelo Dhaka Project, 4 professores que não eram remunerados apenas pedindo para dar lá aulas e os voluntários. Durante as 3 semanas que estive em Dhaka pelo menos 3 voluntários davam aulas a tempo inteiro no colégio. A directora disse-nos também que existiam 6 empregadas de limpeza só para o interior do edifício que estavam lá todo dia, ou seja, enquanto a escola estava aberta, 3 porteiros, e mais 3 funcionários que limpavam a rua. Relativamente aos funcionários, qualquer pessoa mesmo sem conhecer Dhaka, rapidamente se apercebe que está sempre tudo sujo, e conclui que 6 funcionárias de limpeza, 3 porteiros e 3 varredores de uma rua é o verdadeiro exagero. Mas depois de todos estes números elevadíssimos de funcionários se pelo menos a escola estivesse limpa, mas não, existe cascas de banana no chão das salas de aula, os corredores estão sujos, como é possível ou aceitável para a Maria ou para qualquer ser humano, numa organização não governamental que tem como objectivo principal tirar crianças das ruas de Dhaka, educá-las e alimentá-las, paga só no Colégio EK, a 12 funcionários e a escola nem sequer está limpa? Mais uma vez eu não percebo.
Também aqui no Colégio EK
o numero de alunos que nos foi dado pela directora não coincidia com a realidade,
porque mais uma vez eu e o Pedro fomos a todas as salas de aula, contámos todos os
alunos, professores e perguntámos pelos alunos faltosos, se sabiam onde estavam,
porque faltavam, se estavam ou não doentes, se as famílias os tiraram da
escola, ou simplesmente tentámos saber ou perceber, porque estavam a
faltar.
Estes eram os números no Colégio EK – AGO 08
Depois de ter tirado as fotos vimos que existem 15 turmas, para 22 professores, mais os 4 professores que estão a ensinar e que não recebem vencimento, fora os voluntários que quase todos preferem dar aulas, o que todos os miúdos adoram e aprendem muito mais, porque se sentem muito mais motivados e o facto de quererem muito aprender inglês ajuda muito. Fotografámos 374 alunos, separámos os alunos pelas respectivas classes de aula, número da sala e o número de alunos por cada classe. No primeiro dia apenas fomos pedir autorização para fotografar os alunos todos, ao que nos pediram para esperar porque queriam avisar os professores. Tudo seria normal se não começassem a subir e descer professores e livros de presenças de alunos para cima e para baixo, também achei estranho os livros de presenças não estarem juntamente com os professores que dão as aulas. Lá nos chamaram e começámos pelo último piso, batíamos à porta, o Pedro gostava mais de falar Inglês do que eu, apresentávamo-nos e ele explicava o que íamos fazer, depois perguntava ao professor quantos alunos tinha a turma. Aqui começámos a aperceber-nos que as coisas estavam mesmo mal, desde o professor nos dizer que a turma tinha 32 alunos, normal, depois perguntava quantos alunos estavam presentes, a maioria dos professores não sabia quantos alunos estavam presentes, ou se sabiam, outras tantas vezes se começássemos a contar “um por um”, mais uma vez os números dados pelos professores não coincidiam com os alunos efectivamente presentes. O Pedro olhou pra mim e eu pra ele, parámos, estávamos não sei se assustados, se mesmos parvos com tudo que estávamos a ver e sem entender como aquilo era possível, os professores não saberem porque os seus alunos estão a faltar achamos mau mas não preocupante, agora nem o nome dos próprios alunos que estavam na sala de aula saberem achamos muito grave mesmo. Enquanto íamos de sala para sala, ele a falar com os professores, a perguntar quantos são nesta turma, quantos estão presentes, quantos estão a faltar, vimos e ouvimos as coisas mais caricatas e absurdas que se podia ouvir de um professor numa sala de aula. Os livros de presenças de todas as turmas sem excepção tinham sempre para cima de 30 alunos, numerados numa folha, onde as presenças eram marcadas na mesma folha por mês, e no mês seguinte voltavam a escrever o nome dos alunos, mas todos os meses na mesma turma no mesmo livro de ponto, o numero de alunos mudava, o nome mudava, num mês escreviam um nome de uma forma diferente do mês anterior. Aconteceu também numa sala a professora disse que estavam presentes 24 e que faltavam 9 alunos, eu disse 9 alunos numa só sala eram muitos, e já ia a mais de meio e disse-lhe mesmo como era possível faltarem 9 alunos se apenas existiam 4 lugares vazios naquela sala, ao que ela não respondeu e disse que alguns alunos tinham sido mudados para outras salas… Quando a Maria foi a Dhaka fomos ao Colégio EK e fomos à sala dos professores e num dos arquivos encontramos montes de cadernos, material escolar, brinquedos que deveriam estar na creche e estavam lá arrumados e encontramos num caixote escondido cartôes de identificação de miúdos que já não frequentavam a escola. O que estão a fazer é substituir alunos que vão saindo da escola, que ninguém nos soube explicar porque saíam da escola e colocar novos alunos no lugar desses que saiam. Isto confirmou-se quando ao fotografarmos os miúdos perguntávamos a alguns deles porque não tinham uniforme e cartão de identificação, os alunos diziam que apenas estavam na escola havia um mês ou duas semanas e ainda não tinham cartão de identificação nem uniforme, quando perguntávamos aos professores diziam que os miúdos tinham perdido o uniforme e o cartão de identidade. Ao falar com os miúdos da 5ª e 6ª classe,dos quais alguns já falam inglês eles confirmaram que não tinham aulas de computadores ou qualquer tipo de actividades na escola desde que vieram de férias no mês de Junho, os professores e os directores mais uma vez desmentiram isto e disseram que os miúdos estavam a ter todas as aulas. Mas a realidade é que não estavam a ter nenhuma aula extra de actividades porque o horário de funcionamento das aulas era das 9h às 15h30 e eu fui com o Pedro por essa hora e os miúdos ou andavam pelas ruas ou estavam na escola sem qualquer tipo de acompanhamento, aulas ou professores que os acompanhassem.
Também aqui, aquilo que foi
escrito no site do Dhaka Project não coincide com a realidade, onde dizem que
estão a dar 3 refeiçôes por dia aos alunos, não é
verdade, a escola nem cozinha ou cantina tem, nem existe ninguém a servir
almoço aos miúdos. Apenas comem de manhã pão e banana. Os
alunos que estavam na escola do TDP estão no Colégio EK vão
almoçar à escola do TDP e depois de tarde por volta das 15h voltam Era este o almoço servido no Colégio EK A única actividade extra curricular que estão a ter alguns alunos da escola é devida um grupo de adolescentes ricos da cidade de Dhaka, o LEO Club que vão à escola gratuitamente e ensinar peças de teatro, dança e representação, e eu assisti a 2 festas organizados na escola por este grupo. Numa destas festas estavam todos os voluntários presentes, os funcionários do Escritório, os professores e muitos alunos, mas não todos da escola. A segunda festa organizada pelo LEO Club foi para celebrar a festa de anos do Director da Educação, o Firoz, mas aqui estranhamente apenas estavam uns 30 alunos a assistir, não mais, os funcionários do Escritório, e todos os professores, o grupo de alunos actuou, correu muito bem, os miúdos que pertencem ao grupo gostam e empenham-se muito nestas actividades. No final da representação cantaram os parabéns ao Firoz, cortaram o bolo e deram uma fatia a todas as pessoas presentes, depois os professores mandaram os alunos embora, apenas ficaram os voluntários, os funcionários do Escritório e os professores, “quando a sala estava limpa de alunos” foram buscar a comida, mas aqui como não gostei, saí, não percebi porque apenas estavam presentes 30 alunos e os restantes não e não gostei que mandassem os miúdos embora no fim do bolo para não comerem e aí vim-me embora com eles. Ao conversar com os miúdos, um deles apresentou-se como sobrinho do director da escola, dizendo que estava na escola havia 3 meses e que ia almoçar todos os dias à escola do TDP como os miúdos que estavam anteriormente no projecto. Este caso não foi o único porque alguns dos professores têm também os seus filhos na escola, quando nos apresentamos como uma organização que tira as crianças dos bairros marginais de Dhaka, mais uma vez não percebo porque é que o sobrinho e os filhos estão no Colégio EK… Já eu tinha saído de Dhaka e encontrei um dos miúdos na internet e claro que fiquei radiante, finalmente os miúdos estão a ter aulas de computadores e pela hora em Dhaka deviam ser por volta das 17h deviam a estar a ter actividades extra. Começei na conversa com o miúdo, no Facebook, e perguntei onde estava ele e que fazia e se estava a ter aulas de computador, e a resposta dele foi “não, estou na minha casa…” E eu continuei, “na tua casa tens computador? Ele “sim tenho e internet…” Só posso pensar “ainda bem que o miúdo tem internet, computador em casa”, mas o Dhaka Project não ajudava só os miúdos de rua?
Costura e Karchupi Relativamente ao ano passado a Sewing foi mudada de lugar, antes estavam no prédio do escritório, da TDP school, do dentista e do médico, agora estão no mesmo edifício da nursery. Ao Pedro foi pedido que realizasse um estudo da Sewing que estimasse todos os custos e perspectivasse as vendas para os anos seguintes. A primeira coisa que se fez foi fazer um levantamento de todos os materiais lá existentes e o total de despesas tanto em pessoal como em compras. Da lista que nos foi entregue constava os seguintes valores: Mobília: 10.000 Takas5 máquinas de costura x 3.500 Takas = 17.500 Takas 3 máquinas de bordar x 3.000 Takas = 9.000 Takas 2 máquinas de desenhar x 2.500 Takas = 5.000 Takas 22 crivos de Karchupi x 400 Takas = 8.800 Takas Custos: Despesas com as instalaçôes: Renda - 4.000 Takas, Electricidade - não souberam dar um valor porque pagam a conta da creche e do centro de costura tudo junto ao dono do prédio, Gás - 400 Takas. Designer - 6.000 Takas, Bordador Karchupi - 6.500 Takas, Costureiro instrutor - 5.500 Takas. Treino em costura - 5 mulheres a receberem 2.000 Takas por mês Treino em Karchupi - 10 mulheres a receberem 2.000 Takas por mês span> Estes são os custos que qualquer um que lia no blogue e ia achar fantásticos, os miúdos na creche e na escola as mães a serem treinadas para depois poderem trabalhar, até recebem e tudo no treino, mas a realidade não é bem assim. Fui em dias diferentes ao centro de costura com o Pedro e também sozinha e existem coisas que definitivamente não são assim, quanto ao número de mulheres a serem treinadas no Karchupi, 5 é o numero real de senhoras que em media por dia, e em diferentes dias e horas que lá passei, são o número de senhoras que lá trabalham. No centro de costura, sim, confirmo 4 a 5 senhoras a serem treinadas. Se me perguntam se acho bem as senhoras estarem a ser treinadas e ainda receberem, no meu país tenho que pagar pelas formaçôes que recebo, em Dhaka sim, acho bem, pelos miúdos sempre é mais algum dinheiro que entra em casa. Mas então fico sem perceber porque se contabiliza mensalmente 10 senhoras no Karchupi quando na realidade estão lá metade, aqui prefiro não pensar em mais nada. O ano passado existiam o triplo das máquinas de costura, eu perguntei ao responsável do centro o que era feito das restantes máquinas? Das máquinas da fábrica de sacos que entretanto fechou, resposta imediata e que muito sinceramente já me saturava, “A Maria DEU”. Quando a Maria chega eu pergunto Maria que é feito das máquinas da frica de sacos? Dei algumas às mães dos meus filhos para elas trabalharem em casa e não terem de vir para a fábrica porque algumas moravam longe e assim ficavam melhor. Disse também que os contratos se mantinham que as clientes que encomendavam ao Dhaka Project iriam encomendar a elas. Elas receberam a formação a Maria forneceu a máquina, os clientes traziam os sacos e linhas, era só elas cozerem os sacos, continuei e perguntei o que correu mal??? Ela desanimada responde nada correu bem…. Quando decidiram fechar a fábrica de sacos e propor isto às mães apenas metade aceitou, as outras não queriam máquina nenhuma que dava muito trabalho e já estavam cheias de trabalhar e preferiam estar em casa. Deu 5 máquinas para as mães trabalharem em casa, passado uns tempos vai visitar estas senhoras e ver como estava a correr o negócio e ver se estava tudo bem nem, uma estava a trabalhar, as outras cancelaram o contrato com o cliente e não queriam trabalhar, todo o lucro dos sacos iria para elas, o Dhaka Project apenas cedeu as máquinas e nem assim funciona. Tudo isto para não dizer que se existiam sensivelmente 15 máquinas, 5 continuam no projecto, 5 foram dadas pela Maria, e as outras 5 ???? A Maria deu 5 e sabe quais são as senhoras que deu, perguntamos ao pessoal do Dhaka Project sobre qualquer coisa que não está bem ou correu mal, foi a Maria a culpa é da Maria ou ainda a Maria levou para o Dubai…… Isto é simplesmente ridículo, qual o interesse da fundadora do projecto esconder coisas de si própria, do seu próprio projecto?? Podem existir muitos voluntários a ir a Dhaka, muito pessoal do Office convidado a trabalhar ou que vai ficando, mas ninguém cuida e percebe como as coisas funcionam em Dhaka como a Maria. Sempre que o Pedro falava com o responsável do Karchupi o Babul e lhe perguntava qual foi o volume de vendas pelo menos desde o início deste ano, a resposta dele era só "estou a trabalhar no projecto desde Junho, para trás não posso responder sobre nada", não sabia de nada. E o Pedro perguntava "com quem posso falar sobre isto?", e falava com todos no escritório e não havia valores, ninguém sabia, uns diziam que estavam a pôr tudo direito agora, mas ninguém deu valores. O Pedro então perguntou "como vamos perspectivar vendas para o futuro se vocês nem o volume de vendas deste ano têm?" E a cara de "estás a perguntar muita coisa", notava-se, ou então pediam lhe para ele fazer outra coisa qualquer. Até que o Babul apresentou uma folha a4 escrita que dizia:
Sales since 1st July (Vendas desde 1 de Julho) 1.800 Takas
Eu e o Pedro começámo-nos a rir e percebêmos perfeitamente, que foi um valor para nos calar. E perguntámos se os recibos não existiam, "não passam recibos das vendas que efectuam no Centro de Costura?" Resposta, não, porque apenas vendem as roupas, sacos e restantes matérias às hospedeiras de bordo que vão visitar o projecto e "fazemos preços mais elevados para fazermos algum dinheiro". O ano passado eu vi o livro de recibos, o ano passado eu comprei muita roupa neste centro para vender em Portugal e passaram-me um recibo e eu contabilizei com o Muna aquela entrada de dinheiro no Centro de Costura, não aceitei que um ano depois me dissessem na minha cara que não existe nem nunca existiu livro de recibos. Queria fazer qualquer coisa até que me lembrei de ''vou-me fazer de cliente e vou ao centro de costura comprar qualquer coisa'', lá fui eu quando cheguei lá vi que alguns produtos estavam expostos com preço, mas a maioria não tinha preço e muito material estava dobrado e guardado dentro dos armários. Perguntei porque não tinha tudo exposto e com os preços colocados para as pessoas que vinham visitar poderem mais facilmente ver e comprar os produtos. Vi tudo e disse que queria comprar, o Ratna o senhor responsável, sabia perfeitamente que estive lá o ano passado, estive com ele muitos dias para ele se lembrar ao fazer encomendas e escolher diferentes modelos e cores, começou a dizer que não podia vender, que não sabia se podia vender, e ele pega no telemóvel e liga não sei para quem e no final da chamada disse logo que sim, que podia vender. Para quem ligou ele? E desde quando no Centro de Costura é preciso ligar para alguém a perguntar se pode ou não vender o material exposto e algum já com preços?? Achei por bem continuar a palhaçada e escolher 2 produtos diferentes e sem preço fixado, um saco de Karchupi e uma túnica, os preços foram de 1.000 e 2.000 Takas respectivamente. Depois de ouvir os preços eu percebi a chamada…
Mas como queria levar a palhaçada até ao fim comprei e ele disse quanto era o total e eu com o dinheiro na mão perguntei "então e recibo?" Vais-me vender estas 2 peças e depois o que escreves, onde escreves, como dizes ao escritório que vendeste duas peças a este preço? Foi a confusão geral, não sabia o que eu estava a dizer, não percebia, juntou-se tudo à nossa volta ate que o senhor do Karchupi falou com ele e foi a uma gaveta e tirou um livro de recibos. Aí eu pensei "tens o livro de recibos e não passas recibo a ninguém, porque só para te lembrar do que era um livro de recibos foi esta luta nem quero imaginar o resto". Já havia livro de recibos e a palhaçada continuava, diz o Ratna para mim "escreve tu e dá-me o livro de recibos"... e eu aqui não aguentei e comecei a rir, e disse "mas tu é que és o vendedor, tu é que tens que escrever não sou eu, eu quanto muito rubrico o meu nome aí no recibo para tu poderes comprovar no escritório que neste dia vendeste e recebeste essa quantia de dinheiro, relativamente a esta venda e identificas a quem vendes", e ele todo mal disposto e a falar em Bangla para os outros lá começa a escrever sempre a pedir ajuda ao senhor do karchupi até que eu assino, digo obrigado e venho embora. Deixo passar alguns dias e pergunto no escritório como estão as vendas da costura, se estão a vender alguma coisa ou não, ao que no escritório me responderam não estão a vender nada e não entregaram nada aqui. A Maria chegou por essa altura e quando ela visitou a costura perguntou se estavam a vender alguma coisa se tudo estava a correr bem na costura, ao que todos responderam sim Maria está tudo a correr bem e vendas, não temos vendido nada, não têm vindo hospedeiras de ar cá… Na verdade eu não sou uma hospedeira de ar, mas deixei lá 3.000 Takas. Acho que a melhor coisa a fazer será fechar este centro de parasitas que querem lá saber se a organização é para ajudar crianças de rua, apenas pensam no seu próprio umbigo, querem lá saber dos miúdos, para eles a costura é um emprego como outro qualquer e quando se apercebem que tens dinheiro vão te tentar tirar tudo que podem.
Albergue Rara Raparigas O Albergue para Raparigas foi criado pelo Dhaka Project para hospedar as raparigas com idade superior a 13 anos, altura em que começam a casar a mando das famílias. As raparigas durante o dia vão para a escola e depois voltam ao final da tarde para o Albergue, onde estão (na casa) 2 senhoras, familiares da raparigas, que têm por função limpar a casa, tratar das roupas e cozinhar. Foi me dito no Escritório que estas duas senhoras que lá trabalhavam eram remuneradas pelo Dhaka Project, e todos os dias à tarde iam limpar a casa e no fim do dia iam cozinhar. Ao Albergue para Raparigas fui apenas 2 vezes, a primeira vez fui com o Pedro e o Nurul que nos mostrou os quartos, a cozinha e toda a casa. Cada quarto tem 2 camas em que dormem 2 raparigas, achei que estavam demasiado apertadas e sem espaço para aqueles quartos acomodarem 4 raparigas. A casa em si estava suja, o chão tinha lixo, existia louça suja pelos quartos, roupa por todo lado, e a cozinha suja também. Nessa altura viviam lá 28 raparigas, achei muito estranho por a porta estar trancada com cadeado e foi-nos dito que existia um porteiro lá, quando o Nurul, para nos mostrar a Albergue para Raparigas, teve que primeiro ir buscar as chaves do cadeado, logo se existe um porteiro remunerado pelo Dhaka Project, lá não estava! Também durante a tarde, altura que lá fomos visitar não vimos nem uma nem duas senhoras a limpar nada, simplesmente, não existia ninguém lá. Apenas vimos uma casa suja e sem ninguém lá dentro. A segunda vez, que lá voltei fui eu, a Maria e duas jornalistas do Dubai, e o Jewel o responsável pelos voluntários no Dhaka Project, para nosso espanto vimos uma menina com aproximadamente sete anos. Eu olho para a Maria, ela olha para mim, e começamos a meter conversa com a miúda. A Maria conhecia-a muito bem está no projecto desde o início, nessa altura a jornalista aproxima-se e começa a perguntar à miúda como se chama e se ela gostava de viver ali, a miúda diz-lhe o nome e que gostava muito de viver ali. A jornalista não aguenta mais e pergunta à miúda "os teus pais obrigaram-te a casar assim tão nova?" E a miúda começa a rir e diz "casar?" "Eu só tenho 7 anos não tenho idade para casar!". A Maria estava admirada, mas disse à jornalista para continuar e perguntar tudo o que tivesse vontade às miúdas porque também ela gostava de saber o que se estava a passar. Então, a jornalista e a Maria começaram a questionar as miúdas mais velhas, as que estariam lá por serem forçadas a casar, e perguntaram a um grupo de raparigas mais velhas os seus nomes, idades e se gostavam de viver ali, todas responderam que sim e gostavam muito de viver lá. A jornalista volta a perguntar às raparigas se sabiam porque estavam a viver ali e não em casa com as famílias, resposta unânime delas, "as nossas casas estavam em más condiçôes", que viviam muito mal, e que os pais não tinham dinheiro. Ficámos todos de boca aberta, sem palavras. Como estava lá o Jewel eu e a Maria perguntámos-lhe porque a miúda de 7 anos estava na Hostel e ele disse que ela era um caso especial porque a mãe trabalhava fora e nunca estava em casa. E tanto eu como a Maria dissemos que isso não era solução, até porque a maioria dos miúdos do projecto não tem os pais a viverem juntos e muitos vivem com tios ou avós. Eu perguntei quem escolheu as raparigas para viver lá e qual foi o critério de selecção, o Jewel disse que deviam ter sido os professores, mas não sabia. As duas senhoras estavam a cozinhar na cozinha e a Maria começou a perguntar se estavam contentes por trabalhar lá, se gostavam de trabalhar ali para o projecto, perguntou também porque a casa estava toda suja e porque não tinha lá ninguém durante a tarde, elas responderam que tinham ido trabalhar?. Nós perguntámos, "Como trabalhar?... Se o projecto vos paga para tratarem da casa e não esta cá ninguém todo dia e as senhoras vão trabalhar para fora?" Elas meio assustadas meio revoltadas disseram ... "não, não, a nós aqui ninguém nos paga nada, vamos trabalhar durante o dia fora e ao fim do dia limpamos e cozinhamos aqui para as raparigas!" Voltamos a questionar o Jewel, começou a falar Bangla com elas e respondeu simplesmente que não sabia... (Quando começam a falar Bangla parecem estar sempre a discutir, ficamos sempre sem saber se estão ou não a falar verdade). As raparigas disseram também que não gostavam muito de estar lá porque à noite iam rapazes e homens para lá assediá-las e elas não se sentiam bem por isso, mas a Maria pediu à polícia para começar a aparecer lá durante a noite. Na internet é dito que o Albergue para Raparigas foi criado para acomodar as raparigas com 12-14 anos, idade de se casarem no Bangladesh, e também porque como os pais não têm condiçôes forçam as filhas a casar muito cedo. Depois de casarem vão para a casa dos pais dos maridos, onde são autênticas escravas daquela casa, têm que lavar, limpar cozinhar e fazer tudo naquela casa, para todos os que lá vivem. Ao ler o site e ao saber desta realidade, acho fantástico que o projecto faça isto, mas lá em Dhaka, tanto as raparigas como todos, dizem que elas estão lá porque as suas casas não têm condiçôes e os pais não têm dinheiro e agora os rapazes também querem um Albergue para Rapazes... Que se passa aqui? Quem está errado aqui? A Maria, que está a trabalhar no Dubai e sempre à procura de novos patrocinadores para financiar o projecto? Não me parece. Quando andava a fotografar os miúdos do Escola EK, a turma mais avançada, a do Mosharof, e também a turma que fala melhor o Inglês, todos os rapazes se uniram e pediram a mim e à Maria para fazer também um Albergue para Rapazes porque eles viviam sem condiçôes nenhumas nas suas casas e alguns até disseram "se a minha irmã está lá porque é que nós os rapazes também não podemos ter uma Albergue para Rapazes?" Aí eu perguntei aos rapazes se os pais também os estavam a forçar a casar novos e todos responderam que não... Mais uma vez aqui não percebo o que se passa, apenas que em Dhaka não perceberam de todo, o conceito do Albergue para Raparigas e não percebo quem passou este conceito para os miúdos, porque a Maria não foi de certeza, mas alguém foi, porque eles não iam acordar um dia todos a sonhar que o Albergue para Raparigas é para quem não tem condiçôes em casa...
Escritório No escritório começavam a trabalhar às 9h e saíam entre as 18h e as 19h. A principal diferença que notei desde o ano passado foi o numero de pessoas a trabalhar lá. Este ano, tinham 5 pessoas a mais relativamente ao ano passado. Uma senhora que era a responsável pelos patrocinadores, enviar fotos, actualizar os ficheiros dos miúdos que estão e dos que faltam patrocinar. Outro fazia um trabalho dentro desse género, respondia só a e-mails e cartas, achei que chegava perfeitamente uma só pessoa a fazer estes 2 trabalhos que eram tão semelhantes. Outra coisa que me intriga é se o projecto contratou mais duas pessoas só para actualizar ficheiros dos miúdos, enviar mails e informar os patrocinadores do que se passa em Dhaka, porquê eu, Cristiana Fernandes, nunca recebi um único mail, uma única carta, uma única foto da minha Tony, que está na creche, desde o ano passado?? Eu sou a favor de tudo que seja pelo bem do projecto, mas mais ainda pelo melhor das crianças, mas o que está a falhar? Eu não sei, se eles têm 2 funcionários para tratar destas situaçôes, o engraçado de tudo em Dhaka é que sempre que são questionados por alguma coisa que falha ou que esteja mal, resposta é sempre é a Maria, a Maria disse, a Maria mandou, e ela no Dubai sem saber de nada leva com as culpas em cima. Todos os anos é feita uma base de dados de todos os miúdos do projecto, mesmo eu o ano passado tirei a foto a todos os miúdos, uma outra voluntária elaborou os cartôes, imprimimos as fotos, mais tarde foram feitos os cartôes de identificação de todos os alunos do Dhaka Project e deixámos tudo nos computadores do Escritório. Este ano, como sempre acontece quando sai alguém do Escritório, tudo desaparece, e lá começam sempre a fazer novas bases de dados e por aí fora. Então em perguntei directamente aos funcionários que estavam comigo o ano passado, ninguém viu, ouviu ou sabia de nada, até que o iluminado do Jewel disse "a Maria levou para o Dubai...." Eu comecei a rir na cara dele, e perguntei se ele estava a gozar comigo!!, porque eu mesma tinha deixado todas as fotos com os nomes dos miúdos, e depois mais tarde vi os cartôes prontos gravados no computador do Escritório. Se eu não tivesse visto os documentos no computador, se eu não tivesse visto os cartôes feitos pela voluntária, se eu não tivesse tirado as fotos, o que pensava eu sobre a Maria?? Pensaria talvez o que eles gostavam que eu pensasse, mas não posso. Outra coisa, bastante diferente do ano passado, foi ver em pleno escritório um colchão no chão; nos meus primeiros dias em Dhaka quando eu entrava lá e via os funcionários lá deitados a ler o jornal na hora de trabalho eles no início levantavam-se muito rapidamente de lá, mas depois começaram a habituar-se à minha presença e já nem se davam a esse trabalho, deixavam-se mesmo continuar lá. Quando questionei os funcionários do escritório, a querer saber o que fazia um colchão no chão do escritório disseram que era para as reuniôes, assim ficavam todos mais à vontade. Quanto às reuniôes elas eram diárias, entre as 9h e as 9h30, com todo o pessoal do Escritório, nos primeiros dias que entrava lá e via que essas mesmas reuniôes estavam a decorrer entrava e ficava sem saber o que fazer, como nunca me disseram nada ou convidaram a participar em nenhuma, aguardava o fim das reuniôes para começar a trabalhar com alguém que estava em reunião. No início não achei estranho que nos dissessem nada, a mim e ao Pedro, porque apenas participavam nas reuniôes os funcionários e os voluntários que estavam no projecto havia algum tempo. Até que chegou uma voluntária que apenas ficou por três dias e participou nas reuniôes, então eu questionava-me porque não posso eu saber o que se passa nestas reuniôes, uma vez que estava por lá, não percebia o porquê de não participarmos nesta reuniôes. Mais uma vez não percebi o porquê de nós não podermos participar, porque os dois voluntários Portugueses não tiveram direito a participar nestas reuniôes matinais, como todos os voluntários? Achei que não devia pedir para participar, uma vez que todos participavam menos nós, apenas queria ajudar o projecto, continuei a fazer o meu trabalho, que achava necessário. Quanto aos directores do projecto, se assim se podem chamar, o Korvi e o Richard, eram directores de Escritório mesmo, nunca ou quase nunca saíam de lá. Vi-os duas vezes, na festa do EK School e na festa de anos do Firoz, fora do escritório durante o horário de trabalho. Vi também, o Richard a visitar com uma amiga voluntária todo o projecto. Tanto um como outro acreditam piamente em tudo o que os funcionários lhe contam, cegamente; no meu entendimento não deviam, porque as coisas não estão a funcionar, como eles estão a pintar no site. Acreditaria na boa fé deles se as coisas acontecem como acontecem, mas não publicassem no site do projecto todos aqueles 'exageros coloridos', desde o número de alunos no projecto, as refeiçôes, as aulas, os professores qualificados; as aulas de computador e aulas extra-curriculares não funcionam, mas estes senhores acreditam cegamente no que fazem, e publicam estas mentiras. Eles não vêem, limitam-se apenas a ouvir o que os funcionários lhes dizem. Sim é mais fácil colocar a culpa nos outros,... nos outros não,... na Maria! No dia a seguir à Maria ter chegado a Dhaka, visitou todo o Projecto com dois jornalistas do Dubai e começou a questionar o Korvi, o Richard e todos os funcionários do Escritório e enquanto isto acontecia, ao mesmo tempo o funcionário que escrevia mails aos patrocinadores, escrevia que o projecto tinha 650 alunos, davam 3 refeiçôes por dia e tinham aulas extra-curriculares. Eu não acho isto de boa fé, tão pouco vi neles qualquer vontade de tentar solucionar o problema; apenas porque a Maria gritava com eles, uma vez que ninguém dava resposta ao que se estava a passar, então eles acham que estão bem, que o trabalho está perfeito e que a Maria está tola... A Maria, num dos dias, estava desesperada, tudo que ela tinha construído e em que acreditava, mais uma vez estava muito próximo de voltar a estar desfeito, e disse apenas assim: "é tão difícil dar 3 refeiçôes por dia aos meus filhos? é tão difícil eles terem aulas às horas que antes tinham das 9h às 17h e verificar se estão a ter as aulas extra-curriculares"?. Posso dizer que ninguém, mas ninguém respondeu, quanto a ela não sei, mas a mim apetecia-me partir aquela gente toda. Então, nessa mesma manhã ela pediu aos funcionários que arranjassem uma espécie de empresa de distribuição de refeiçôes para distribuir as 3 refeiçôes por dia aos miúdos, que só alimentados poderiam aprender, e disse se até ao final do dia não contratassem uma empresa que os despedia. E surpresa das surpresas, ninguém se mexeu, ninguém ligou, o Jewel foi ver o mail, então ela pegou nele, segurou-lhe nos braços, abanou-o e disse-lhe “arranja comida para os meus filhos”. Então, agora dizem com base nesta muito pequena cena, comparada com tudo que se passa em Dhaka, que a Maria berra, que a Maria bateu no Jewel, esta confesso que foi muito boa, uma vez que estava presente e apenas vi um abanão. Fiquei muito desiludida com tudo que se está a passar em Dhaka, por isso, liguei à Maria e disse que o projecto estava muito diferente relativamente ao ano passado e ela veio, e viu o mesmo que eu, as coisas não estão de todo a funcionar. Mas, no site o cenário está a ser pintado de forma perfeita. Não concordo de todo com isto, com a forma como os funcionários estão a lidar com a situação, acho que ninguém dos que lá trabalham se preocupa com os miúdos, vêem o projecto como um outro emprego qualquer, querem lá saber se os miúdos estão ou não a comer, se estão ou não a ter as aulas que prometeram, o que os Bangladeshi sabem é que a Maria é a mina de ouro deles, sabem também que pelos miúdos ela faz e principalmente paga o que for preciso. Então, sempre que ela vai a Dhaka, tentam-lhe pedir o máximo de dinheiro possível, cada vez mais, ela envia mais dinheiro para Dhaka e a qualidade de vida dos miúdos é cada vez menor. Entende-se isto? Eu não entendo, menos ainda entendo a mentalidade dos Bangladeshi, mas os voluntários e alguns que lá trabalham e não são do Bangladesh, como se deixam tão rapidamente entrar neste estilo de vida? Os funcionários dizem que o Richard fez um excelente trabalho, o Richard acredita piamente nos funcionários, se tudo está assim tão bem em Dhaka, porque dizem eles que a Maria é louca, porque pedem eles à Maria para enviar o dinheiro mas que não vá mais a Dhaka ou que vá só duas vezes por ano? Eu, no lugar dos funcionários, já que acham que o seu trabalho está muito bem feito, porque não pedem aos patrocinadores, ou mesmo à Emirates Foundation para visitar o projecto, mas era logo quando os problemas começaram a ser questionados por mim e pela Maria. O que fizeram estes senhores? Usaram todos os contactos da Maria para a difamarem e escrever coisas que são pura mentira, dizendo que a Maria está louca! Só porque envia muito dinheiro para a sua própria ONG e exige aos seus funcionários o melhor para os miúdos, mas já nem se trata do melhor, neste momento, mas do básico, 3 refeiçôes por dia e aulas com professores qualificados? Acham muito? Para mim isto é básico, o Dhaka Project foi criado para tirar miúdos das ruas de Dhaka, alimentá-los e educá-los. O que se passou, foi que a fundadora foi ver o seu próprio projecto, exigiu às dezenas e dezenas de funcionários que mantém, porque uma vez que pagava ordenados pressupunha que eles trabalhassem e exercessem as suas funçôes, os objectivos mais básicos para que o projecto foi criado, então a Maria está tola? Desculpem-me todos os funcionários, mas eles todos sem excepção, não querem fazer nenhum, querem tirar o mais que podem de dinheiro à Maria, e que ela não os chateie muito, melhor, não os chateie nada, que vá a Dhaka poucas vezes e que continue a enviar muito dinheiro para lá. Se assim não fosse, repito, pelo menos o básico, três refeiçôes, aulas com o mínimo de qualidade, os funcionários deveriam cumprir com isto, seria o mínimo, mas é pedir demais? No Dhaka Project parece que sim!
Centro Médico Aqui, relativamente à realidade e ao que é dito no site, é a mentira total. Dizem que temos um centro médico, que damos assistência a toda a comunidade e por aí fora. Apenas pegaram na cadeira do dentista e todos os materiais do dentista, e nos equipamentos médicos que o projecto já tinha o ano passado no edifício do TDP e mudaram estas duas salas, que antes estavam separadas, para uma sala um bocado maior com o exacto e mesmo material, se algo se comprou de novo, foi medicamentos, e já está montado um centro médico para toda a comunidade!!! O projecto recebeu 30.000 USD para construir um centro médico, mudamos o dentista e o médico, contratou-se uma nova médica e está feito um centro médico?? Não é assim, de todo, e a minha especialidade é tudo menos medicina, mas eu vi o mesmo equipamento, no ano passado, no TDP apenas noutro lugar. Quando a Maria viu o que se passou com o centro médico, em que nada do que prometeram foi cumprido, disse que tinha que devolver todo o dinheiro ao patrocinador do centro médico. E estávamos já no Dubai quando ela marcou a reunião com o patrocinador, eu também estava presente, e ela contou o que se passou, eu o que tinha visto, e ela simplesmente devolveu os 30.000 USD ao patrocinador, ele disse que ela era honesta demais e que na caridade, ninguém é como ela, disse que iria guardar o dinheiro para quando ela voltasse a Dhaka, ou precisasse noutra qualquer ONG que ela quisesse criar, onde quer que fosse, em qualquer parte do mundo, disse que estava sempre com ela, que acreditava no trabalho dela e que quando tivesse novidades lhe arranjaria novos patrocinadores. E continuo a perguntar... a Maria está louca? Só porque quer ajudar, alimentar, educar crianças das ruas de Dhaka? Cristiana
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